A notícia de que o Amapá, um estado historicamente à margem dos grandes holofotes econômicos do Brasil, pode vir a se tornar o mais rico do país, superando até mesmo a gigante São Paulo, soa como um roteiro de cinema.
E o protagonista dessa reviravolta?
O petróleo encontrado na região da Margem Equatorial.
Essa área, que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá, é apontada por especialistas como o “novo pré-sal” brasileiro.
O Amapá, com a autorização recente (após cinco anos de estudos e negociações com o Ibama) para a Petrobras iniciar a perfuração exploratória no bloco FZA-M-059, está na porta de uma transformação econômica sem precedentes.
A Margem Equatorial tem o potencial de possuir reservas de bilhões de barris.
Se esses indícios se confirmarem, a exploração comercial e o consequente pagamento de royalties e participações especiais podem catapultar a economia amapaense.
Algumas estimativas, inclusive de especialistas do setor, chegam a prever que os recursos advindos dos royalties poderiam multiplicar o PIB do Amapá em pelo menos seis vezes, uma virada que faria o estado saltar do final da lista para o topo da riqueza nacional, equiparando-se (e até ultrapassando, no que se refere à participação per capita na arrecadação) aos grandes players atuais.
Esse cenário de boom econômico seria comparável ao que ocorreu em vizinhos como Guiana e Suriname, que viram seus PIBs dispararem após a descoberta e exploração de suas reservas de óleo e gás.
A exploração é vista, inclusive, como estratégica para a soberania energética do Brasil, ajudando a garantir a autossuficiência a partir da próxima década, quando o pré-sal tende a entrar em declínio.
Apesar do entusiasmo com o potencial de desenvolvimento, o debate é marcado por uma tensão inevitável: a proximidade com a Foz do Rio Amazonas e a sensibilidade ambiental da região.
A autorização do Ibama para a perfuração exploratória no litoral do Amapá só veio após um “rigoroso processo de licenciamento”, que exigiu da Petrobras o reforço em planos de emergência, incluindo a ampliação da infraestrutura de resposta a acidentes e a instalação de um novo centro de atendimento à fauna.
O grande desafio está em conciliar a busca por essa riqueza prometida com a responsabilidade ambiental.
Para que o Amapá se torne, de fato, um modelo de desenvolvimento sustentável e não apenas um polo petrolífero, será fundamental que os recursos gerados sejam aplicados em infraestrutura, educação e diversificação econômica, transformando o potencial bruto em progresso social duradouro.
A população local, em sua maioria, apoia a exploração, desde que seja feita com o devido cuidado e licenças ambientais, mostrando que a esperança de melhoria de vida caminha junto com a necessidade de proteção da Amazônia.
A sonda perfurando o fundo do mar é um símbolo de uma expectativa enorme que pode, literalmente, reescrever a economia e o mapa da riqueza do Brasil.
Dr. Ademar Santos

